<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998</id><updated>2012-02-16T01:51:15.362-08:00</updated><title type='text'>RASTROS LITERÁRIOS</title><subtitle type='html'>Poesia &amp;amp; Prosa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>15</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-2429337731958649054</id><published>2009-08-05T18:13:00.000-07:00</published><updated>2009-08-05T18:16:06.942-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;DESTINO?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dia dois de dezembro.&lt;br /&gt;Depois de décadas de dedicação, Deocleto despedia dona Dalva: descuidada derrubara desinfetante dentro do dormitório, degenerando diversos documentos. Desesperada, desculpava-se desejando demovê-lo da decisão. Determinado, Deocleto disse-lhe:&lt;br /&gt;-  Depois desse descuido desmedido, danificando-me dois dossiês, dificulta-me desfazer dessa decisão... Destarte, desapareça definitivamente desse domicílio..&lt;br /&gt;Descrevendo dúzias de dívidas, duvidosamente dona Dalva desmaiou. Desconfiado, Deocleto deixou-a desfalecida. Dentro da drogaria “Droga D” divisou Dráuzio devolvendo dez drágeas , deterioradas, desvanecedoras de dentalgia. Debochou:&lt;br /&gt;- Dor de dentadura, Dráuzio?&lt;br /&gt;Desconcertado, Dráuzio disparou:&lt;br /&gt;- Deixe de denegrir-me, deputado... Deveria dizer-lhe dezenas de desaforos... deveria...&lt;br /&gt;-  Desculpe-me .&lt;br /&gt;- Desforrarei!&lt;br /&gt;-  Desculpe-me, Dráuzio. Deveria dirimir-me desses desplantes depois de deperecer diante duma dor dilacerante.&lt;br /&gt;-  Dor dilacerante?&lt;br /&gt;-  Deixe-me desabafar. Desejo demais dona Dalva... Deveria dizer-lhe desse desenfreado desejo de desposá-la... Deveria... Desencorajo-me... Doeria demais decepcionar-me.&lt;br /&gt;-  Deixe de delirar.&lt;br /&gt;-  Deito, durmo, desperto desejando-a demais...Despedi-a: devo descansar desse desespero.&lt;br /&gt;-  Dona Dalva deixou-lhe desmiolado, desassisado... Depois dialogamos.&lt;br /&gt;Decorridos dezessete dias, Deocleto divisou dona Dalva dentro da doçaria deglutindo docinhos de damasco. Decidiu desculpar-se.&lt;br /&gt;- ...Dona Dalva – disse desconcertado.&lt;br /&gt;- Doutor Deocleto!... deveria distanciar-se dos doces... diabete descontrolada destrói.&lt;br /&gt;-  Detesto doces.&lt;br /&gt;-  ...&lt;br /&gt;-  ...Dona Dalva... deixe-me dizer-lhe do desejo defeso...&lt;br /&gt;-  Deocleto!!! Disse Dráuzio dissuadindo-o.&lt;br /&gt;-  Dráuzio!?&lt;br /&gt;-  Deixou-me dois docinhos, Dalvinha?&lt;br /&gt;-  Dalvinha!?&lt;br /&gt;-  Desposamo-nos, Deocleto... Desposamo-nos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-2429337731958649054?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/2429337731958649054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/08/destino-dia-dois-de-dezembro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/2429337731958649054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/2429337731958649054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/08/destino-dia-dois-de-dezembro.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-6226505449205652559</id><published>2009-08-04T18:58:00.000-07:00</published><updated>2009-08-04T18:59:17.654-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;O   PÓ   BRANCO&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após mais um dia de trabalho, Ataulfo dirigiu-se com alguns amigos para uma choperia, pretendendo abster-se dos problemas do escritório e do mundo. Entretanto, como nos diálogos predominavam os atentados terroristas, decidiu retornar para o aconchego do lar.&lt;br /&gt;Instalou-se no automóvel e pouco mais de um quarto de hora, estacionava em frente ao número 36, da Alameda dos Querubins.&lt;br /&gt;Superou o portão e, depois de alguns passos, penetrou a chave na fechadura e adentrou.&lt;br /&gt;- Nicinha!!! Ô Nicinha!!!&lt;br /&gt;Desatou a gravata, jogando-a na poltrona.&lt;br /&gt;- Nicinha, cheguei!!!&lt;br /&gt;Lançou o paletó sobre a cama. Retirou quase toda a roupa. Ficou apenas de cueca.&lt;br /&gt;- Nicinha!!! Cadê você, Nicinha!!!&lt;br /&gt;"Ô mulherzinha pra bater perna. Nunca está quando eu preciso" pensava, caminhando para a cozinha.&lt;br /&gt;Abriu a geladeira e retirou uma cerveja. Preparou uma porção de presunto e sentou-se à mesa, onde estava depositado o jornal do dia, que estampava cenas da guerra contra o terrorismo de Osama Bin Laden.&lt;br /&gt;"A resistência do líder Talibã, e a intransigência norte americana, estão dizimando inocentes".&lt;br /&gt;Por mais que Ataulfo quisesse ficar alheio aos acontecimentos, não podia. Com o jornal nas mãos, procurou ler todos os artigos que tratavam daquele episódio. Deteve-se diante de um artigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    "Antraz - a resposta Talibã"&lt;br /&gt;Dezenas de pessoas já foram contaminadas&lt;br /&gt; por um pó branco que, geralmente, chega&lt;br /&gt;ao destino por via postal.  O simples contato&lt;br /&gt;tem provocado o Antraz, doença que pode&lt;br /&gt;causar a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ataulfo, com repugnância, lançou o jornal ao chão, sorveu o restante da cerveja e levantou-se para pegar outra. Nesse momento, ao olhar novamente para a mesa, avista um envelope.&lt;br /&gt;- De quem será essa carta? Resmungou. Será de outro credor?&lt;br /&gt;Volveu-se para pegá-la. Quando a abriu, estremeceu: não havia nenhuma correspondência dentro do envelope; mas, sim, um PÓ BRANCO! Começou a tremer e, a sua reação fez com que o conteúdo do envelope caísse sobre sua mão.&lt;br /&gt;- VOU MORRER!!! Gritou desesperado. VOU MORRER!!!&lt;br /&gt;Ataulfo ruiu ao chão. Começou a tossir e a sentir uma forte dor no peito.&lt;br /&gt;              - SÃO OS SINTOMAS!!! VOU MORRER!!! Gritava tanto, que toda a vizinhança poderia ouvi-lo. Talvez fosse esse o seu desejo: que alguém viesse para socorrê-lo.&lt;br /&gt;Cada minuto parecia ser um século. Respirava com dificuldade. Começava a sentir o hálito da morte.&lt;br /&gt;- VOU MORRER!!! NICINHAAAAAAAA!!!&lt;br /&gt; Nicinha entra alvoroçada e desfaz-se rapidamente de alguns embrulhos. Socorre o marido.&lt;br /&gt;- O que foi, Ataulfo??? O que você está sentindo, pelo amor de Deus???&lt;br /&gt;- Vou morrer, benhê... Fui contaminado pelo antraz... Malditos terroristas!!!&lt;br /&gt;Nicinha também começa a gritar em prantos.&lt;br /&gt;- Eu não quero ficar viúva!!!&lt;br /&gt;- Você vai encontrar alguém melhor que eu...&lt;br /&gt;- Não quero ninguém!!! Eu só quero você, meu amor!!!&lt;br /&gt;- Cuide bem dos nossos filhos...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;              - Nicinha... balbuciou - Preciso fazer uma confissão pra você... antes que seja tarde demais...&lt;br /&gt;- Agora não é hora... deixa pra depois...&lt;br /&gt;- Mas, eu vou morrer!!!...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Nicinha... Esforçou-se, olhou dentro dos olhos da esposa e revelou: eu traí você... e várias vezes... com a Julinha... com a Nanda... com a Raimunda... como se chama aquela mesmo que trabalha na loja do Orlando?&lt;br /&gt;Se ele não estivesse nos braços da morte, ela, certamente, o expulsaria de casa depois de decepar-lhe o falo. Aquele infortúnio exigia que ela o absolvesse.&lt;br /&gt;- Qual o homem que nunca traiu sua mulher? Isso é apenas um detalhe, insignificante nesse momento.&lt;br /&gt;Ataulfo ameaçava fechar os olhos, como se ouvisse o chamado da morte.&lt;br /&gt;- Onde você se contaminou, meu amor?&lt;br /&gt;Com dificuldade, ele apontou para a mesa. Nicinha olhou e não viu nada.&lt;br /&gt;              - Não tem nada na mesa, querido... Apenas essa garrafa vazia de cerveja... esse resto de porção de presunto... Huuuuum! Que delícia!!!&lt;br /&gt;- CUIDADO!!! Alertou ao ver a mulher com o envelope na mão.&lt;br /&gt;- Cuidado??? Mas, isso é apenas um envelope... Foi a Dona Nenê que me deu... Estou preparando um bolo para o nosso aniversário de casamento... Acabou o fermento e ela me cedeu um pouco nesse envelopinho... - Revelou acomodando a cabeça do marido entre suas pernas.&lt;br /&gt;Ataulfo, envergonhado, sorriu. Desconcertado, levantou-se e disse:&lt;br /&gt;- Pensei que fosse o tal antraz... Ainda bem que não corro risco de morte... Graças a Deus estou vivo... e bem vivo!&lt;br /&gt;A mulher, pasmada, dirigiu-se à área de serviço e retornou com uma vassoura na mão.&lt;br /&gt;- Seu cachorro!!! Se não morreu pelo antraz, vai morrer de tanta vassourada... Mulherengo! Traidor! Vagabundo!&lt;br /&gt;- Ai! Ui! Para com isso, benhê... Ai! Ui!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-6226505449205652559?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/6226505449205652559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/08/o-po-branco-apos-mais-um-dia-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/6226505449205652559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/6226505449205652559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/08/o-po-branco-apos-mais-um-dia-de.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-5012224689416833586</id><published>2009-08-02T05:03:00.000-07:00</published><updated>2009-08-02T05:08:39.312-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;MISSA DE DOMINGO&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O domingo finalmente chegara para desfazer a curiosidade daquela cidadezinha de três mil habitantes, escondida no interior paulista. Naquele dia, a única igreja da cidade foi incapaz de acomodar a população, que queria conhecer o novo pároco.&lt;br /&gt;Dona Maria, da quitanda, mandara confeccionar um vestido amarelo com flores vermelhas, especialmente para a ocasião. Atanagildo recuperara o terno sexagenário que usara em seu casamento com a finada Landinha. Dona Estelinha, obesa e falastrona, proprietária de uma doçaria, enfiada num modelito que encomendara da capital, preocupava-se com o cumprimento do vestido, que ameaçava-lhe expor as coxas. Vez ou outra agarrava a extremidade do traje, puxando-o para baixo. Tavinho procurava esconder-se atrás do folheto litúrgico, para não presenciar a cena. Porém, incontrolável, arriscava uma olhadela e caía na gargalhada.&lt;br /&gt;Os fiéis começaram a consultar o relógio, desconfiados sobre a vinda do novo padre. A missa seria realizada às 9:00hs; e os relógios precisavam 9:15hs.&lt;br /&gt;Nesse momento, um automóvel coberto pela poeira da estrada, estaciona em frente à igreja. Nele o padre e um maltrapilho que, descendo, revelou que a causa do atraso fora um pneu furado e um estepe quase vazio.&lt;br /&gt;- Obrigado, padre - agradeceu o indigente entrando na igreja.&lt;br /&gt;O padre sorriu, ajeitou a batina surrada, retirou uma Bíblia do veículo e ascendeu aos degraus logo atrás do seu companheiro de viagem.&lt;br /&gt;O povo, resistente pela curiosidade, acompanhou, com os olhos, a caminhada do padre até o altar.&lt;br /&gt;- Ele é bem novinho, né, Estelinha!?&lt;br /&gt;-  E bonitão também, Maria.&lt;br /&gt;-  Ai, ai, ai... olha o sacrilégio!&lt;br /&gt;O maltrapilho, pés no chão, barba branca desleixada, abordava cada fiel, estendendo a mão e oferecendo um sorriso. "Não tenho trocado" dizia uns, enquanto outros simplesmente o ignoravam. Chegou a ouvir alguém sugerir que o retirassem dali, pois a igreja era um lugar sagrado, não uma casa de vagabundos. Determinado, continuou a peregrinação. Alguns até deram-lhe umas moedas.&lt;br /&gt;No altar, o padre sem dizer nenhuma palavra, organizava a mesa, abrindo a Bíblia no Evangelho de São Mateus. "Que padre chato!" resmungou alguém. "Nem bom dia ele disse!" reclamou outro. "Vai ver que ele pensa que tem o rei na barriga!" ranzinzou um sexagenário.&lt;br /&gt;O maltrapilho aproximou-se do altar, retirou o microfone do pedestal. Algumas pessoas foram para retirá-lo e expulsá-lo da igreja. Entretanto, com um pequeno gesto da mão, o padre as impediu.&lt;br /&gt; - Irmãos e irmãs... Não subjulguem ninguém pela aparência... Quem vê a mim, sente repugnância em razão da minha indumentária, da minha aparência... Ofereci à muitos a minha mão... não para esmolar, mas para uma saudação. A grande maioria torceu o nariz. Uns pensaram até em me retirar daqui. Outros, deram-me algumas moedas... Não preciso de dinheiro!&lt;br /&gt;O povo estava aparvalhado. Quem seria aquele maltrapilho que se atrevia a ocupar o microfone do padre para repreendê-lo?&lt;br /&gt;- Não fiquem com essa cara... Acho que já está na hora de me apresentar: sou o padre Francisquinho. A partir de hoje serei o pároco dessa igreja.&lt;br /&gt;Enquanto as pessoas cochichavam, o padre prosseguia:&lt;br /&gt;- Esse que está trajado de padre, é o meu sacristão. Nasceu com um pequeno defeito: jamais pronunciou uma palavra. Por isso todos o chamam de Mudinho.&lt;br /&gt;- Não queremos nenhum padre que nos faça de idiotas!&lt;br /&gt;Padre Francisquinho interrompeu o seu colóquio para procurar por quem havia proferido aquela frase. Se o rechonchudo Adamastor não procurasse, desesperadamente, se esconder atrás de dona Estelinha, talvez o padre não saberia, até hoje, que fora ele o autor da exclamação.&lt;br /&gt;Placidamente o padre caminhou até o último banco.&lt;br /&gt;- O senhor se considera um idiota?&lt;br /&gt;Adamastor olhou de soslaio. Dissimulado, corrigiu os olhos para o folheto litúrgico.&lt;br /&gt;O padre permanecia aguardando a resposta. Dona Estelinha, empurrando-o com o cotovelo, cochichou "O padre tá falando com você". Adamastor que suava até pelas orelhas não teve alternativa. Reuniu coragem e justificou-se:&lt;br /&gt;- Um padre não deve mentir... e o senhor mentiu sobre a sua identidade fazendo-nos parecer idiotas.&lt;br /&gt;Sereno, o sacerdote fitou por alguns segundos a cruz no altar e depois falou:&lt;br /&gt;- Chama-me de hipócrita... O que fiz foi para avaliar a cristandade de vocês; assim como se avalia um aluno para definir a diretriz a ser empregada em seu ensinamento... Isso não é hipocrisia... Hipocrisia é estar aqui, na casa do Pai, e repudiar a saudação de um maltrapilho... A veste não é sinal de superioridade. Todos nós nascemos nus! Portanto, iguais. Ninguém é melhor do que ninguém em razão da roupa. Muito pelo contrário. Existem muitas pessoas que se vestem de ouro e, por dentro, estão como o sepulcro: podres.&lt;br /&gt;Adamastor ruiu no banco, enquanto o padre retornou para o altar e celebrou a missa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-5012224689416833586?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/5012224689416833586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/08/missa-de-domingo-o-domingo-finalmente.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/5012224689416833586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/5012224689416833586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/08/missa-de-domingo-o-domingo-finalmente.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-8016562780261272988</id><published>2009-07-31T15:14:00.001-07:00</published><updated>2009-07-31T15:18:01.030-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;ATALHO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Cada atalho que conheço&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;do seu corpo sedutor&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;sempre renova o endereço&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;para os caminhos do amor.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Trova premiada no XI Jogos Florais de Amparo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-8016562780261272988?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/8016562780261272988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/atalho-cada-atalho-que-conheco-do-seu.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/8016562780261272988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/8016562780261272988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/atalho-cada-atalho-que-conheco-do-seu.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-1502101790631915059</id><published>2009-07-29T17:54:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T18:14:08.459-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;MATIZES&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo,&lt;br /&gt;no fundo, no fundo,&lt;br /&gt;é muito bom...&lt;br /&gt;depende do tom com que você o pinta,&lt;br /&gt;depende da durabilidade da tinta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a vida,&lt;br /&gt;é lida ranzinza,&lt;br /&gt;é vedado crer&lt;br /&gt;que a melancolia dos tons de cinza&lt;br /&gt;seja impossível remover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver&lt;br /&gt;é ser um pintor perseverante;&lt;br /&gt;é descompor&lt;br /&gt;o mundo beligerante&lt;br /&gt;com as matizes da essência do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo,&lt;br /&gt;no fundo, no fundo,&lt;br /&gt;é muito bom...&lt;br /&gt;depende do tom com que você o pinta,&lt;br /&gt;depende da durabilidade da tinta.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Premiado no VI Concurso Poetas do Vale&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Publicado na Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos - vol.41&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-1502101790631915059?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/1502101790631915059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/matizes-o-mundo-no-fundo-no-fundo-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/1502101790631915059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/1502101790631915059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/matizes-o-mundo-no-fundo-no-fundo-e.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-6592319486264913600</id><published>2009-07-28T18:01:00.000-07:00</published><updated>2009-07-28T18:04:59.687-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;                                                   AS APARÊNCIAS EN&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;GANAM&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de colocar as mercadorias no porta-malas, Luiza recolheu alguns centavos da bolsa para gratificar ao menino do supermercado que a auxiliara. Tinha ojeriza a supermercado. Entretanto, submetera ao sacrifício para organizar o jantar que o marido ofereceria para empresários europeus.&lt;br /&gt;Instalando-se no automóvel mirou-se no retrovisor alinhando os cabelos com as mãos. Retocou o batom e girando a chave manobrou o veículo rumando para o colégio onde sua filha estudava.&lt;br /&gt;“Deverei usar um Dior ou um Coco Chanel?”- pensava enquanto superava avenidas. Absorta, quase ignorou a filha que a esperava comendo um sanduíche.&lt;br /&gt;- ‘Tá distraidaça dona Luiza!?&lt;br /&gt;- Já falei que não quero você usando esse vocabulário, Diana.&lt;br /&gt;- Dá um tempo, mãe!&lt;br /&gt;- ...E você sabe que eu odeio quando você come dentro do carro.&lt;br /&gt;Afrontando a mãe, Diana lambeu vagarosamente os dedos, sentou-se no banco traseiro e pilheriou:&lt;br /&gt;- Tá a fim, mãe? Tá uma delícia...&lt;br /&gt;Luiza calou-se: eram inúteis as reprimendas à filha de quinze anos. Diversas vezes cerrara os olhos investigando o passado em busca de algum erro que cometera na educação da filha.&lt;br /&gt;- É hoje o jantar com os bacanas?&lt;br /&gt;- É.&lt;br /&gt;- Tô pulando fora... Não tenho saco pra aturar essas babaquices.&lt;br /&gt;A decisão da filha deixava-a aliviada. Era prudente que esta se ausentasse, caso contrário poderia comprometer o sucesso daquele compromisso.&lt;br /&gt;- Olha o sinal, mãe! Tá cega?&lt;br /&gt;A advertência da filha fê-la imprimir o pé no freio e evitar um acidente.&lt;br /&gt;Sem que percebessem, um menino de rua, de cor negra, esfarrapado, descalço, foi se aproximando do automóvel. Quando o viram, assustaram-se. Luiza pressupôs um assalto. Pensou omitir o rolex, as pulseiras e os colares de ouro. Mas, receou uma investida letal. A filha, pétrea, segurava o sanduíche.&lt;br /&gt;- O que... que... você... quer? Indagou Luiza temerosa. Por favor... não nos faça... mal...&lt;br /&gt;O menino, macérrimo, permaneceu olhando-as, sem dizer uma palavra. Quando o semáforo liberou o tráfego, ele, num arrebatamento, subtraiu o sanduíche das mãos de Diana e fugiu.&lt;br /&gt;O menino estava com fome.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;      Publicado no Nheengatu-Mirim (Jornal da Academia Pindamonhangabense de Letras)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-6592319486264913600?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/6592319486264913600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/as-aparencias-en-ganam-depois-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/6592319486264913600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/6592319486264913600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/as-aparencias-en-ganam-depois-de.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-7307559004264967656</id><published>2009-07-27T16:45:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T17:38:36.868-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;PAZ&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A paz que tanto procuras&lt;br /&gt;e dizes não encontrar&lt;br /&gt;é escrava das amarguras&lt;br /&gt;que tu costumas criar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;1º lugar no concurso de trovas Casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto/ 2005&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;...........................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;MEDALHA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;As medalhas com que cobre&lt;br /&gt;o seu peito de vaidade&lt;br /&gt;mostram que falta a mais nobre:&lt;br /&gt;- a medalha da humildade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;1º Lugar no concurso Confraternização de Trovadores Paulistas/ 2009&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;.........................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;TEMPO&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Contra o tempo, autor de rugas&lt;br /&gt;e de indesejáveis cãs,&lt;br /&gt;as estratégias de fugas&lt;br /&gt;por mais que iludam... são vãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;8º lugar no XX Concurso Nacional de Trovas de Natal/RN – 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-7307559004264967656?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/7307559004264967656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/paz-paz-que-tanto-procuras-e-dizes-nao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/7307559004264967656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/7307559004264967656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/paz-paz-que-tanto-procuras-e-dizes-nao.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-9187695900949504513</id><published>2009-07-25T18:40:00.000-07:00</published><updated>2009-07-25T18:42:55.568-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;                                                                          O EDIL&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamil engoliu um calmante, banhou-se e acomodou-se na poltrona da sala procurando distrair-se com o jornal televisivo. Ansioso, consultava o relógio de minuto em minuto. Muitas vezes levantou-se para verificar se o seu terno italiano - comprado no Paraguai com todas as suas economias - estava impecável.&lt;br /&gt;- Tininha, ô Tininha! Tô achando esse terno um pouco amarrotado... Dá pra você dar um jeitinho?&lt;br /&gt; A mulher contava até dez para não estourar de cólera. Estava esgotada de tanto se dedicar àquele pedaço de pano. Entretanto, resistia; pois sabia que aquele seria o momento mais importante da vida do marido.&lt;br /&gt;O relógio enfim atingiu às sete horas. Jamil saltou da poltrona e vestiu o terno. A esposa desmoronou esvaecida e feliz.&lt;br /&gt;- Não quer mesmo vir comigo, querida? - convidava fiscalizando-se no espelho.&lt;br /&gt;- Outra vez eu vou... outra vez...&lt;br /&gt;- Será que estou bem assim?&lt;br /&gt;- Está maravilhoso... Ma-ra-vi-lho-so.&lt;br /&gt;Jamil deu-lhe um breve beijo, rejeitando o abraço - poderia amarrotar-lhe o indumento. Instalou-se no fusquinha 80 e rumou para a câmara municipal. "Falta pouco para trocar esse caco velho." Pensava.&lt;br /&gt;Estacionou o veículo a duas quadras. Envergonhava-se de sua condição financeira. Não tivera muitas oportunidades na vida. Talvez por ter cursado apenas até a segunda série do ensino básico. Só não era ignorante porque sabia escrever muito mal o seu nome. Quando pediam para fazer as leituras na igreja, desculpava-se dizendo que sem os óculos - que deixava propositadamente em casa - não conseguia enxergar aquelas letrinhas. Sabia ler sim; mas, custava a reunir sílabas. E, apesar de quase ignaro, conseguira se eleger por ser prestativo e querido por toda a comunidade.&lt;br /&gt;- Seja bem vindo para a posse, nobre edil?&lt;br /&gt;Ajustando a gravata, olhou com indiferença para o grupo onde um homem adiposo, com pouco mais de metro e meio trajava um terno verde, camisa amarela e gravata azul. Era o Zidorinho Bandeira, candidato oposicionista, reeleito com o maior número de votos, entre outros reeleitos.&lt;br /&gt;- Se me permite corrigi-lo, nobre colega, meu nome não é Edil.&lt;br /&gt;Puxando os óculos para a extremidade do nariz, ranzinzou:&lt;br /&gt;- Meu nome é Jamil.&lt;br /&gt;E sobre as gargalhadas da plêiade veterana, ascendeu às escadarias que davam acesso à câmara municipal.&lt;br /&gt;Cada degrau superado agravava-lhe os tremores pelo corpo e a sudorese na fronte abstêmia de cabelos. Nem mesmo o calmante que ingerira antes de sair de casa, conseguia arrefecer-lhe os nervos.&lt;br /&gt;No recinto as pessoas se comprimiam para assistirem a primeira sessão. Naquela cidade era tradição que os representantes de bairros comparecessem a todas as sessões para exigir que as promessas de palanque fossem cumpridas.&lt;br /&gt;Aos poucos a edilidade acomodou-se nas poltronas italianas. Zidorinho Bandeira, assumindo a presidência, assomou o microfone e ordenou:&lt;br /&gt;- Todos em pé para iniciarmos a nossa primeira sessão cantando o Hino Nacional.&lt;br /&gt;Após o ato cívico e as formalidades da ocasião, o presidente determinou:&lt;br /&gt;- Sejam todos bem vindos à nossa casa. A partir de agora, cada um dos nobres colegas deve colocar em pauta as reivindicações da população.&lt;br /&gt;Jamil havia reunido na memória diversos pedidos. Aguardaria a sua vez para explaná-los.&lt;br /&gt;O primeiro a manifestar-se foi Dito Bola, empresário renomado na cidade, proprietário de vários imóveis.&lt;br /&gt;- Agradeço a confiança do povo em me reeleger. Darei continuidade ao meu trabalho. E gostaria de iniciar protestando contra o poder executivo que pretende elevar em 20% o IPTU. O povo não suporta mais aumento de imposto.&lt;br /&gt;"Sobre o IPTU não posso mais falar" pensava Jamil, eliminando um item da relação em sua memória, enquanto a platéia aplaudia eufórica.&lt;br /&gt;Outro vereador levantou-se e comentou:&lt;br /&gt;- Solicito esclarecimentos sobre a pintura do mercado municipal. Inauguraram-no apenas com a pintura de duas paredes. Quando irão completar o trabalho?&lt;br /&gt;Receando ficar sem argumento, Jamil levantava o braço com o indicador em destaque requerendo a palavra. Zidorinho Bandeira fazia vistas grossas até impacientar-se:&lt;br /&gt;- Aguarde a sua vez, nobre edil. Agora o direito à palavra é de Jair Combosa.&lt;br /&gt;- Temos que lutar contra o monopólio dessa empresa de ônibus que presta serviços em nossa cidade. Quero dizer: serviço não. Um desserviço, isso sim. Precisamos garantir a qualidade e pontualidade nas linhas - esbravejou o líder dos transportes alternativos.&lt;br /&gt;Cada edil que se deslocava até a tribuna, antecipava as colocações de Jamil que começava a desesperar-se. Quando Tonho Mão-de-Gato concluiu sua elocução, Jamil se desesperou. Finalmente havia chegado a sua vez. Mas, o que iria dizer? Sentiu tontura quando Zidorinho Bandeira olhou para ele.&lt;br /&gt;- Chegou a sua vez, nobre edil... A tribuna é toda sua.&lt;br /&gt;Desconcertado afastou a poltrona para se levantar. Quase caiu. Ajustou a gravata que parecia querer asfixiá-lo. Enfiou as mãos no bolso procurando o lenço. Enxugou o suor da fronte e limpou as lentes dos óculos. Caminhou tremulamente para a tribuna. Ajustou o microfone. Pigarreou limpando a garganta. Direcionou os olhos para os espectadores. Sentiu um calafrio na barriga que antecedeu a fortes dores. Poderia ser uma reação adversa do calmante. Entre trejeitos de dor, exprimia um sorriso de segurança, pois havia encontrado refúgio naquelas cólicas. Quase de cócoras, agarrou o microfone e gritou:&lt;br /&gt;- Por favor... alguém pode me dizer onde fica o banheiro?&lt;br /&gt;Ao ver o dedo indicador de um funcionário da câmara que dizia: "É por ali", saiu correndo para iniciar suas atividades edílicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;                                                                                   Premiado no CONCURSO 7º PRÊMIO MISSÕES&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-9187695900949504513?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/9187695900949504513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/o-edil-jamil-engoliu-um-calmante-banhou.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/9187695900949504513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/9187695900949504513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/o-edil-jamil-engoliu-um-calmante-banhou.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-5786479548279851454</id><published>2009-07-24T19:35:00.000-07:00</published><updated>2009-07-24T19:36:21.361-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;PADECIMENTO MATERNO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe, ao vê-lo, não contendo o pranto,&lt;br /&gt;refuta as regras que o destino emprega;&lt;br /&gt;beija-lhe a fronte, a face, as mãos e agrega&lt;br /&gt;reminiscências contra o desencanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, outra lágrima a desassossega...&lt;br /&gt;Abraça o filho com ternura e, enquanto&lt;br /&gt;entre murmúrios diz que o ama tanto,&lt;br /&gt;bimbalha o sino decretando a entrega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inconformada, aos céus, faz um clamor:&lt;br /&gt;“Meu Deus! Meu Deus! Privai-me desta dor...&lt;br /&gt;Sem o meu filho a vida pouco importa!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele instante, cessa-lhe a amargura:&lt;br /&gt;seu corpo tomba sobre a sepultura&lt;br /&gt;e junto ao filho ela repousa... morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soneto premiado no XXXI Jogos Florais de Pouso Alegre&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-5786479548279851454?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/5786479548279851454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/padecimento-materno-mae-ao-ve-lo-nao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/5786479548279851454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/5786479548279851454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/padecimento-materno-mae-ao-ve-lo-nao.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-7582578949271519214</id><published>2009-07-23T18:34:00.000-07:00</published><updated>2009-07-24T04:15:34.473-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;CASA DE ROÇA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bate pilão&lt;br /&gt;da reminiscência...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem&lt;br /&gt;na casa de pau-a-pique&lt;br /&gt;pelas rendas das paredes&lt;br /&gt;de argila&lt;br /&gt;o sol mandava os seus raios&lt;br /&gt;dizimarem pesadelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brisa&lt;br /&gt;vinha compor melodias&lt;br /&gt;e arrefecer o calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os orifícios&lt;br /&gt;da casa de pau-a-pique&lt;br /&gt;tinham remendos de estrelas&lt;br /&gt;que a noite cerzia&lt;br /&gt;enquanto mamãe cantava&lt;br /&gt;canções de ninar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje&lt;br /&gt;(prosperidade?)&lt;br /&gt;debruço-me na janela&lt;br /&gt;do arranha-céu&lt;br /&gt;espiando a noturnidade&lt;br /&gt;poluída...&lt;br /&gt;Não consigo dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está o meu lençol de estrelas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Poema premiado no IV Concurso Literário “Cidade de Maringá”)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-7582578949271519214?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/7582578949271519214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/casa-de-roca-bate-pilao-da.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/7582578949271519214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/7582578949271519214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/casa-de-roca-bate-pilao-da.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-4694852108072277049</id><published>2009-07-22T15:46:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T18:42:47.674-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoTitle" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;color:#ff0000;"&gt;O PAPAGAIO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoTitle" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" align="center"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: center" align="center"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Os passos pressurosos eram para abreviar o tempo de retorno ao lar. A expectativa em revelar a sua nova aquisição, não desfazia aquele sorriso no rosto. Os transeuntes, curiosos, olhavam-no segurando uma enorme embalagem, cuja proteção plástica, impedia desvendar o seu conteúdo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Abriu o portão, gritando: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Benhê! Jonzinho! Nininha!&lt;span style="TEXT-TRANSFORM: uppercase"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Os filhos, que brincavam no balanço, correram ao encontro do pai.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- O pai chegou, mãe!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;A esposa abriu a porta enxugando as mãos no avental.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Que gritaria é essa??? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Tenho uma surpresa para vocês. Tenho certeza que irão gostar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;A esposa e os filhos, seguiram-no até o quintal. Ele ordenou-lhes que se sentassem. Depositou o pacote no chão e, segurando a embalagem, puxou-a ligeiramente. Quis semelhar-se com um mágico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Tcham! Tcham! Tcham! Tcham! Gostaram?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;O filho de três anos, espremeu os olhinhos e questionou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Por que o senhor comprou uma galinha, pai? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Não é uma galinha, filho - disse a mãe com ternura - é um louro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Mas ele é verde, mãe... Louro não é amarelo? Indagou a filha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- É um papagaio - definiu o pai - Pretendo ganhar muito dinheiro com ele. Vou ensiná-lo a falar, a cantar o Hino Nacional... Todos os programas de televisão vão querer entrevistá-lo... Aí eu peço uma grana preta... Vamos ficar ricos! Agora preciso escolher um lugar para ele ficar...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Que tal ali? Sugeriu a esposa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Suspenderam a gaiola do bípede emplumado sob o telhado da área de serviço. Naquele mesmo dia, o marido repetiu algumas palavras para a ave, que permaneceu alheia aos ensinamentos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Meses se passaram e, mesmo com a insistência daquela doutrina, o animal não evoluía. Raramente ouvia-se um &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;curupaco&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Talvez eu não seja um bom professor! Confidenciou certa vez a um amigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Não é nada disso... já li uma reportagem sobre adestramento de animais... Pra ensinar um bichinho, é necessário que ele receba muito carinho e compreensão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Naquele dia, o marido voltou decidido a acariciar o papagaio. Certamente o seu amigo estava com a razão. Quem não gosta de um carinho? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Loro! Curupaco! Começou a falar, abrindo a portinha da gaiola para fazer um cafuné no cocuruto do papagaio. Diga: CO-MI-DA! CO-MI-DA! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;O papagaio olhou desconfiado e abriu o bico. "Ele vai falar", pensou. Quando a mão aproximava-se da ave, esta mordeu-lhe o indicador, que só foi liberado depois de um palavrão gritado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;No outro dia, com o dedo enfaixado, encontrou-se novamente com o amigo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- E aí? Conseguiu fazer o bicho falar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Que nada! - Respondeu constrangido - Além de não dizer nenhuma palavra, ainda me fere o dedo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Você já reparou que os animais quando obedecem ao dono, recebem alimento? Por que você não faz o mesmo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Mas ele não me obedece.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Então não lhe dê comida até que ele faça o que você quer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Resoluto, confiou mais uma vez no amigo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Loro! Curupaco! Ou você fala alguma coisa ou não lhe dou comida. &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Entendeu?&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;O papagaio continuou indiferente diante da ameaça. Entretanto, a partir daquele dia ficou terminantemente proibido a alimentação do animal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Quem se atrever a dar comida pro papagaio, vai se ver comigo. ENTENDERAM?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Ninguém se atreveria a contrariar a determinação daquele homem severo, capitão reformado do exército.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Naquela semana o papagaio não foi alimentado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Certo dia, a mulher varrendo o chão, ouviu uma voz esganiçada e debilitada:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Co... mi... da!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Olhou para todos os lados mas não havia ninguém. Seus filhos estavam na escola.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Co... mi... da!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Surpreendeu-se quando percebeu que o papagaio finalmente falava. Jogou a vassoura e correu ao telefone.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Querido! O papagaio tá falando! Venha depressa!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Estupefata, tanto quanto como quando ouvira a primeira palavra pronunciada por um filho seu, retornou para próximo da gaiola.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Co... mi... da...&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Co... mi... da...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;O marido entrou correndo e ainda conseguiu ouvir a ave dizer:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Co... mi... da...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;- Traga as sementes de girassol, mulher... Traga o girassol –&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;berrou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;A mulher obedeceu. Porém, quando entregou o pacotinho ainda lacrado ao marido, ouviu o papagaio repetir a palavra e tombar na gaiola.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 42.55pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="FONT-SIZE: 12pt;font-size:10;" &gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Era muito tarde. O papagaio havia morrido de fome e destruído o sonho do marido em se tornar milionário.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-4694852108072277049?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/4694852108072277049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/o-papagaio-os-passos-pressurosos-eram.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/4694852108072277049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/4694852108072277049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/o-papagaio-os-passos-pressurosos-eram.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-5719059755297573408</id><published>2009-07-21T16:51:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T16:52:47.059-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;OLHOS DO CORAÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias, nas manhãs, eu via&lt;br /&gt;velha mansarda e, cândida à janela,&lt;br /&gt;uma menina, olhos azuis, tão bela&lt;br /&gt;que, até com minha sisudez, sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu meditava: “Que mistério havia&lt;br /&gt;naquele olhar daquela alma singela?&lt;br /&gt;Pois quanto mais eu me afastava dela&lt;br /&gt;meu pensamento mais a ela servia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atormentado, resolvi indagar:&lt;br /&gt;“Diga, menina... o que há para se olhar?&lt;br /&gt;O que te apraz no mundo assaz cruento?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não sei, senhor... Não posso ver... sou cega;&lt;br /&gt;mas sinto o amor de Deus que a mim se entrega&lt;br /&gt;no sol... na chuva... nos beijos do vento...”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-5719059755297573408?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/5719059755297573408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/olhos-do-coracao-todos-os-dias-nas.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/5719059755297573408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/5719059755297573408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/olhos-do-coracao-todos-os-dias-nas.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-5052599331480035774</id><published>2009-07-21T16:39:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T16:40:22.829-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;ASFIXIA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Asfixia-me&lt;br /&gt;a impunidade ininterrupta&lt;br /&gt;aos predadores da Amazônia:&lt;br /&gt;cancros da biodiversidade,&lt;br /&gt;com insônia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asfixia-me&lt;br /&gt;a degradação da fauna e flora...&lt;br /&gt;Espécie extinta&lt;br /&gt;ex-tinta&lt;br /&gt;na tela acinzentando da Amazônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asfixia-me&lt;br /&gt;a invasão alienígena&lt;br /&gt;que vocabulariza&lt;br /&gt;e escraviza&lt;br /&gt;a alma indígena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asfixia-me&lt;br /&gt;a hipocrisia condenatória&lt;br /&gt;à incúria brasílica.&lt;br /&gt;Arrombem o passado,&lt;br /&gt;autores de seus desertos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asfixia-me&lt;br /&gt;o planger do uirapuru&lt;br /&gt;antecipando a última sinfonia...&lt;br /&gt;Rio Amazonas&lt;br /&gt;agonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asfixia-me...&lt;br /&gt;Asfixia...&lt;br /&gt;Asfixi...&lt;br /&gt;Asfi...&lt;br /&gt;As...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-5052599331480035774?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/5052599331480035774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/asfixia-asfixia-me-impunidade.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/5052599331480035774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/5052599331480035774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/asfixia-asfixia-me-impunidade.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-5575437135763783377</id><published>2009-07-21T16:38:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T16:39:08.358-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;SONOLÊNCIA&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Por um momento&lt;br /&gt;a solidão&lt;br /&gt;se deteriora&lt;br /&gt;pela troca de soslaios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos&lt;br /&gt;os olhares se confessam&lt;br /&gt;as mãos se encontram&lt;br /&gt;e os lábios se entregam&lt;br /&gt;como loucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os corpos&lt;br /&gt;sequiosos e urgentes&lt;br /&gt;aderentes&lt;br /&gt;abandonam o invólucro&lt;br /&gt;do pudor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No leito&lt;br /&gt;- catre virginal –&lt;br /&gt;entre o cetim e a renda&lt;br /&gt;os corpos úmidos&lt;br /&gt;intumescidos&lt;br /&gt;se preparam para a oferenda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...no instante em que o sol&lt;br /&gt;- delator –&lt;br /&gt;acorda, no criado-mudo&lt;br /&gt;o meu despertador...&lt;br /&gt;desperta&lt;br /&gt;a&lt;br /&gt;dor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-5575437135763783377?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/5575437135763783377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/sonolencia-por-um-momento-solidao-se.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/5575437135763783377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/5575437135763783377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/sonolencia-por-um-momento-solidao-se.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8231686561699180998.post-3240120217648028612</id><published>2009-07-21T16:27:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T16:35:54.306-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;ÚLTIMO SUSPIRO&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Gastei o tempo&lt;br /&gt;com pressurosidades&lt;br /&gt;não percebi os laivos&lt;br /&gt;que a felicidade&lt;br /&gt;teimava em me mostrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pétreo coração&lt;br /&gt;tornou obsoleto&lt;br /&gt;o irromper da flor&lt;br /&gt;e a lágrima&lt;br /&gt;de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amealhei!&lt;br /&gt;Putrefiz-me com o dinheiro!&lt;br /&gt;Julguei-me proprietário&lt;br /&gt;de todos&lt;br /&gt;do todo&lt;br /&gt;de tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o tempo&lt;br /&gt;rasgou-me a prepotência&lt;br /&gt;e com austeridade&lt;br /&gt;ensinou-me que o dinheiro&lt;br /&gt;não compra a eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje&lt;br /&gt;a corrosão&lt;br /&gt;que a enfermidade me provoca&lt;br /&gt;enfoca&lt;br /&gt;a minha estupidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tardiamente&lt;br /&gt;espio o céu pela janela&lt;br /&gt;e compreendo:&lt;br /&gt;a vida é bela&lt;br /&gt;para quem a vive intensamente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8231686561699180998-3240120217648028612?l=rastrosliterarios.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/feeds/3240120217648028612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/ultimo-suspiro.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/3240120217648028612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8231686561699180998/posts/default/3240120217648028612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://rastrosliterarios.blogspot.com/2009/07/ultimo-suspiro.html' title=''/><author><name>Maurício Cavalheiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05167354613649654398</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
